Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Sobre os modelos e as mulheres superdotadas

  • Neste mês de março, ao lado de flores e chocolates, queremos oferecer uma reflexão sobre os desafios e as potencialidades da mulher superdotada. Isso é fundamental porque, embora homens e mulheres apresentem, em termos biológicos, potencial semelhante para a superdotação, na prática, as mulheres seguem sendo menos identificadas e pouco reconhecidas devido a questões sociais e culturais que moldam expectativas, comportamentos e oportunidades. 

  • Isso acontece, em grande parte, porque desde a infância, as meninas são frequentemente direcionadas à adaptação, ao cuidado dos outros e à busca por aprovação, enquanto os meninos são incentivados a questionar, explorar e liderar. Isso impacta diretamente o desenvolvimento e a expressão dos seus potenciais.
Imagem de Vonecia Carswell, na Unsplash.
Imagem de Vonecia Carswell, na Unsplash.

Ao longo da vida, essas diferenças se traduzem em trajetórias distintas. Mulheres superdotadas tendem a desenvolver estratégias de camuflagem, escondendo suas capacidades e sua intensidade – reduzindo a própria expressão para serem aceitas. São, em geral, mais adaptáveis e silenciosas em seus desconfortos, o que dificulta ainda mais sua identificação, ao contrário dos homens, que encontram mais espaço para se expressar abertamente.

Esse processo pode gerar perda de autoconfiança e dúvidas sobre a própria capacidade. Muitas meninas e mulheres também carregam a sensação de não pertencimento, resultado de seus interesses incomuns e questionamentos profundos, que nem sempre encontram eco e geram nelas o estigma de serem “estranhas” ou “diferentes”, como algo negativo. 

 

Por terem consciência precoce das próprias capacidades, sentem uma pressão interna constante de fazer mais, criar mais e evoluir mais, desenvolvendo, com frequência, o medo de desperdiçar o próprio potencial ou de serem medianas. E as pressões se intensificam com o passar dos anos e a chegada da maturidade. A mulher superdotada frequentemente enfrenta conflitos entre autenticidade e aceitação, especialmente na fase adulta, por conta de relacionamentos amorosos e do ambiente profissional, espaços onde sua inteligência costuma ser percebida como ameaça. 

 

Enquanto homens tendem a atribuir seu sucesso à própria capacidade, muitas mulheres internalizam dúvidas, minimizam conquistas e convivem com sentimentos de inadequação.Além disso, recai sobre elas a sobrecarga de papéis sociais — trabalho, cuidado, maternidade — vividos de forma ainda mais intensa devido à sua sensibilidade e profundidade. 

Quando esses medos e dúvidas não são compreendidos, podem se transformar em colapso, burnout, culpa constante, relações desequilibradas e trajetórias fragmentadas. Até porque as mulheres se exigem mais, e costumam ser mais exigidas se buscam ocupar espaços culturalmente “inesperados”, tendo que se mostrar melhores do que a maioria dos homens para conquistar posições e respeito no mercado de trabalho. 

Imagem de Becca Tapert, na Unsplash
Imagem de Becca Tapert, na Unsplash
  • Ter a superdotação reconhecida e integrada, deixa de ser peso e torna a atipicidade uma fonte de direcionamento para suas vidas. A capacidade de introspecção, a busca por sentido e a possibilidade de ressignificar experiências são forças importantes na trajetória feminina. Apesar dos desafios, há muitos caminhos de potência. 

 

  • Reconhecer e integrar sua superdotação, permite às mulheres transformar conflitos em direção, construindo vidas mais coerentes com seus valores e necessidades — ainda que, muitas vezes, precisem fazê-lo desafiando expectativas sociais profundamente enraizadas. Além disso, a mulher superdotada que encontra meios de viver sua potencialidade pode se tornar modelos que ajudem outras mulheres a acreditarem nelas mesmas e na adequação de suas aspirações. 

 

  • Nos estudos da especialista pós-doutorada em mulheres superdotadas Susana Pérez Barrera, um fator importante que impacta o não reconhecimento de mulheres com altas habilidades — e, em consequência, o não reconhecimento de sua identidade como pessoa superdotada — é a falta ou o desconhecimento de modelos femininos de sucesso, especialmente em áreas dominadas por homens.

 

  • “Quando elas não contam com modelos, comportamentos, atitudes, valores e/ou expectativas de referência, a constituição da identidade não pode ser concluída e, em certas ocasiões, tem que ser ‘negociada’”, explicou Susana Pérez para o livro “Deu Zebra! Descobrindo a superdotação”.

 

  • Assim, identificar mulheres superdotadas, apoiar seu desenvolvimento e dar visibilidade às suas trajetórias não é apenas uma questão de reconhecimento individual — é criar referências que permitem a outras mulheres se enxergarem, se autorizarem e também florescerem.

 

0 0 votes
Classificação
Deixe aqui sua mensagem para as autoras
Notificar de
0 Comentários